Ilumina minha vida com a riqueza do teu brilho, traz calor ao meu viver,
Sem me esconder nem cheiros, nem prazer.
Levo comigo o gozo de saber que nessa vida, só prova do amor quem não teme o sofrer...
Não haveria de dar este clique,
Não teria coragem,
Silencioso, ele media a luz (fingia),
Configurava, desconfigurava, re-configurava sua Canon Rebel,
O cenário estava perfeito: algum lugar entre o pôr-do-sol e o anoitecer,
Usaria o flash 25 talvez, e definitivamente, o Preto e Branco se aplicaria mais uma vez,
Mais do que nunca.
Ela caminhava lentamente pelo estúdio,
De um lado para o outro,
Cigarro nos lábios,
Não, não havia nervosismo,
Ela o faria de olhos fechados,
Olhos fechados e boca entreaberta,
E mente distante e pressa de ir embora, ela pensava...
Ele direciona as luzes para o sofá, fixa a câmera no tripé,
Olha pra ela, mexe a cabeça vagarosamente, num sinal,
Ela joga o cigarro fora, toma um gole de suco,
Respira fundo e tira o hobby,
Ele já sabia, mas seu coração dispara,
E seu dedo não se candidata,
Procura esvaziar sua mente de qualquer pensamento, CLICK!
Ela muda de pose, CLICK!
Mexe os cabelos, CLICK!
Muda o olhar, CLICK! CLICK!
Com cliques que saem pela culatra, ela o mata sem piedade, 10, 15, 30 vezes –
Havia passado dez anos, jamais imaginara fotografá-la de novo –
Cinco disparos por segundo,
Pensa: ela está ainda mais linda,
Mudara sua vida uma vez,
(mais uma de perfil...CLICK!), e ele já sabia,
Que mudaria novamente,
Desta vez para sempre...

O balcão do bar,
Uma dose qualquer,
Pouca luz,
Fumaça de cigarros,
Um piano no palco,
Blues.
Ela usa um vestido preto,
Apenas um brilho nos lábios,
Olhos expressivos.
Inicia seu show,
Notas com a voz brevemente rouca, incomparável.
Abre-se um portal pra outra dimensão,
Outro tempo, mergulho nele,
Não há como explicar.
No final do segundo bis,
Ela agradece suave, como sempre.
Bato palmas, parece que recém acordei de um sonho.
Encontro-a no camarim,
Nossos olhos se beijam,
Ajudo a vestir o casaco,
Ganhamos a rua,
No frio, os vapores das nossas bocas
Desenham palavras gostosas de ver,
São duas e trinta da manhã,
Lhe dou minha mão,
Lhe roubo um beijo,
Suspiramos os dois, sem deixar parecer,
Sorrimos por dentro e por fora,
Penso que essa energia, poderia manter acessas as luzes de néon de toda a cidade,
pelo resto dos tempos...

Vou com passos forçadamente lentos
Como querendo assim, ritmar meus pensamentos,
- E tudo vai bem
Pelas ruas, sombras, que vejo junto ao chão,
E no horizonte, entre arranha céus de escuridão, tanta luz, tanto contraste,
Sigo satisfeito, por simplesmente ter o sol e ter a sombra,
- E tudo vai bem
Sei dos meus passos hoje,
Suponho meu caminho amanhã,
E quando são os pés que doem, me ponho a descansar,
Assim como a correr das chuvas, na pressa da vida, das ruas...
- E tudo vai bem
E se for de sentar mão com mão, com você,
Ver a vida crescer,
Compartilhar dos caminhos, por assim dizer,
Assim será, assim te terei como me tens,
E nunca abandono a certeza de que tudo,
- Tudo vai bem!


Quero gritar
Quero gritar como uma moto com a surdina aberta a varrer a avenida
Quero gritar como um animal pré-histórico, como um monstro mitológico,
Tenho a boca fechada
Mas minha garganta, meu peito pede um grito
E é primal
E é abafado no travesseiro
O grito de um urso polar, no deserto de gelo e neve
O grito de uma represa que racha e desprende rios acumulados
O grito de quem procura
O grito de quem quer ser achado, no meio de uma floresta, de um labirinto.
Quero gritar
E é provável que não seja bonito
E por certo assustará
E pode incomodar
Quero gritar
E pode não fazer sentido
Mas preciso e vou gritar
Como no quadro de Munch
Como quem cai
Como quem se defende ou defende alguém
De um perigo mortal
Como quem mata qualquer coisa inexplicável
Como quem ama vou gritar
Para recuperar a razão
Vou gritar
Até perder a voz
Até meu grito sair e me perder de vista...Vou gritar
(Porque há o direito ao grito. então eu grito. Clarice Lispector)

Parte do homem que fui nos seus braços,
Do homem que seria, um dia, ao seu lado...
Ela vai, e me deixa um nó na garganta,
com uma palavra que não consegui engolir, por enquanto.
No entanto, eu sabia: ela haveria de ir embora um dia...
e neste dia,
ela leva, terna, a lembrança, ainda que remota,
do meu abraço,
do meu abstrato,
meu descompasso e
minha poesia...

vou te dar uma ninhada de gatos,
vou te dar um peixe exótico,
e um pássaro de 7 cores e um falcão peregrino,
poderás ter um lagarto
ou um velho lobo que te protegerá.
Vou te oferecer tudo o que é vivo,
irás adotar, se assim quiseres, tudo o que pulsa,
cada animal que reside na casa, na mata,
na floresta e no campo aberto que sou.
Em um lugar inusitado,
Num momento inesperado,
Com as palavras impensadas,
Me fale frases que necessitariam de anos pra serem construídas,
Me explique a vida pelos teus olhos, e com a inquietude destes mesmos olhos,
Me faça questionar tudo novamente, desentender tudo novamente.
Me beije num improviso, numa hora em que não haja explicação,
Me roce a nuca,
Me fale baixo,
Me arranhe e me morda,
Me aperte as mãos,
E não me diga nada mais,
Puxe minha mão ao teu colo e então me silencie, serenamente...
Lembra de quem tu é,
Te lembra do que te identifica e te torna único, nessa vida,
Te lembra do cenário onde tu é feliz,
Te lembra dos cheiros e das cores das coisas que te fazem bem
Encontra, no teu coração, dentro de ti, aquilo que inspira teu mais sincero sorriso
Sinta-se confortável por saber que existem pessoas que rezam por ti todas as noites, antes de dormir, sinta este afago,
Reze e pense positivo pelas pessoas que tu ama, pense positivo e faça coisas que valem à pena, e que valerão ser lembradas mesmo que só por ti, com orgulho, com paixão.