sexta-feira, 18 de abril de 2008

Martelinhos e Short Drinks - Série


Ilumina minha vida com a riqueza do teu brilho, traz calor ao meu viver,

Sem me esconder nem cheiros, nem prazer.

Levo comigo o gozo de saber que nessa vida, só prova do amor quem não teme o sofrer...


terça-feira, 15 de abril de 2008

Click!


Não haveria de dar este clique,

Não teria coragem,

Silencioso, ele media a luz (fingia),

Configurava, desconfigurava, re-configurava sua Canon Rebel,

O cenário estava perfeito: algum lugar entre o pôr-do-sol e o anoitecer,

Usaria o flash 25 talvez, e definitivamente, o Preto e Branco se aplicaria mais uma vez,

Mais do que nunca.


Ela caminhava lentamente pelo estúdio,

De um lado para o outro,

Cigarro nos lábios,

Não, não havia nervosismo,

Ela o faria de olhos fechados,

Olhos fechados e boca entreaberta,

E mente distante e pressa de ir embora, ela pensava...


Ele direciona as luzes para o sofá, fixa a câmera no tripé,

Olha pra ela, mexe a cabeça vagarosamente, num sinal,


Ela joga o cigarro fora, toma um gole de suco,

Respira fundo e tira o hobby,


Ele já sabia, mas seu coração dispara,

E seu dedo não se candidata,

Procura esvaziar sua mente de qualquer pensamento, CLICK!


Ela muda de pose, CLICK!

Mexe os cabelos, CLICK!

Muda o olhar, CLICK! CLICK!

Com cliques que saem pela culatra, ela o mata sem piedade, 10, 15, 30 vezes –

Havia passado dez anos, jamais imaginara fotografá-la de novo –

Cinco disparos por segundo,

Pensa: ela está ainda mais linda,

Mudara sua vida uma vez,

(mais uma de perfil...CLICK!), e ele já sabia,

Que mudaria novamente,

Desta vez para sempre...




domingo, 13 de abril de 2008

Néon


O balcão do bar,

Uma dose qualquer,

Pouca luz,

Fumaça de cigarros,

Um piano no palco,

Blues.

Ela usa um vestido preto,

Apenas um brilho nos lábios,

Olhos expressivos.

Inicia seu show,

Notas com a voz brevemente rouca, incomparável.

Abre-se um portal pra outra dimensão,

Outro tempo, mergulho nele,

Não há como explicar.

No final do segundo bis,

Ela agradece suave, como sempre.

Bato palmas, parece que recém acordei de um sonho.

Encontro-a no camarim,

Nossos olhos se beijam,

Ajudo a vestir o casaco,

Ganhamos a rua,

No frio, os vapores das nossas bocas

Desenham palavras gostosas de ver,

São duas e trinta da manhã,

Lhe dou minha mão,

Lhe roubo um beijo,

Suspiramos os dois, sem deixar parecer,

Sorrimos por dentro e por fora,

Penso que essa energia, poderia manter acessas as luzes de néon de toda a cidade,

pelo resto dos tempos...

sábado, 12 de abril de 2008

O Caminho (Fundo da Adega, safra 2002)


Então caminho, lentamente

Vou com passos forçadamente lentos

Como querendo assim, ritmar meus pensamentos,

- E tudo vai bem


Pelas ruas, sombras, que vejo junto ao chão,

E no horizonte, entre arranha céus de escuridão, tanta luz, tanto contraste,

Sigo satisfeito, por simplesmente ter o sol e ter a sombra,

- E tudo vai bem


Sei dos meus passos hoje,

Suponho meu caminho amanhã,

E quando são os pés que doem, me ponho a descansar,

Assim como a correr das chuvas, na pressa da vida, das ruas...

- E tudo vai bem


E se for de sentar mão com mão, com você,

Ver a vida crescer,

Compartilhar dos caminhos, por assim dizer,

Assim será, assim te terei como me tens,

E nunca abandono a certeza de que tudo,

- Tudo vai bem!




sexta-feira, 11 de abril de 2008

Dormir sem sonhar




Não, não havia mais saída,
Eu não queria mais estar aqui,
Não queria estar em lugar algum,
Não poderia cumprir tuas expectativas,
Aquelas que nem tu sabia quais eram,
Pois se as cumprisse haveria outras e outras mais,
Eu vi que nunca te preencheria,
E que não haveria sossego
E que não passaria um minuto sequer sem pensar no que poderia estar faltando
Me desdobrando em ser mais de um, em dizer sempre a palavra certa, na hora que fosse necessário.
Por isso, arrumei minhas coisas,
Juntei os pedaços do que ainda havia, algum orgulho e respeito próprio
e tomei um táxi, e joguei minhas chaves e meu celular pela janela,
e fui para a rodoviária e comprei uma passagem,
para a cidade mais distante, o primeiro ônibus que estivesse saindo,
recostei meu banco,
e já não pensava em mais nada.
Passavam as luzes da cidade ao longe,
e repeti, pra mim mesmo, tantas vezes,
que não existe uma resposta certa pra todas as perguntas...
até pegar no sono, pedindo pra não sonhar mais...

terça-feira, 8 de abril de 2008

Fundo da Adega


foto: google imagens

Caros frequentadores da Taberna, estou abrindo um espaço para postar alguns textos mais antigos, algumas coisas do fundo do baú...do 'fundo da adega'...
Espero que apreciem a velharia! Rss

'Zelo' é o primeiro deles...



Zelo (Fundo da Adega, safra 2000)


Por enquanto, só te peço silêncio,
Só o nosso silêncio,

Meu apelo é ao teu olhar,
Que é doce e meigo.
E meu zelo pelo teu corpo,
Não é segredo,
É puro medo de seguir sem tê-lo,
Puro desejo de chegar ao centro,

Fechar contigo em som,
Em verso,

E líquido...


quinta-feira, 3 de abril de 2008

Grandezas





Penso e fico com medo da grandiosidade da vida.
Penso no espaço que as pessoas ocupam nos meus sonhos, todos os sonhos...
E nem sabem,
E contar um sonho é tão difícil, falar da emoção...
Às vezes, é o tempo que não deixa falar, passa tudo tão rápido, todos passam tão rápido e
guardamos algumas palavras, um jeito de olhar, um sorriso, guardamos o bem estar que nos
traziam, toda a beleza de viver...

domingo, 30 de março de 2008

Grito


Quero gritar

Quero gritar como uma moto com a surdina aberta a varrer a avenida

Quero gritar como um animal pré-histórico, como um monstro mitológico,

Tenho a boca fechada

Mas minha garganta, meu peito pede um grito

E é primal

E é abafado no travesseiro

O grito de um urso polar, no deserto de gelo e neve

O grito de uma represa que racha e desprende rios acumulados

O grito de quem procura

O grito de quem quer ser achado, no meio de uma floresta, de um labirinto.

Quero gritar

E é provável que não seja bonito

E por certo assustará

E pode incomodar

Quero gritar

E pode não fazer sentido

Mas preciso e vou gritar

Como no quadro de Munch

Como quem cai

Como quem se defende ou defende alguém

De um perigo mortal

Como quem mata qualquer coisa inexplicável

Como quem ama vou gritar

Para recuperar a razão

Vou gritar

Até perder a voz

Até meu grito sair e me perder de vista...Vou gritar


(Porque há o direito ao grito. então eu grito. Clarice Lispector)


quarta-feira, 12 de março de 2008

Haveria de ir...um dia


Ela vai, e leva uma parte de mim,

Parte do homem que fui nos seus braços,

Do homem que seria, um dia, ao seu lado...

Ela vai, e me deixa um nó na garganta,

com uma palavra que não consegui engolir, por enquanto.

No entanto, eu sabia: ela haveria de ir embora um dia...

e neste dia,

ela leva, terna, a lembrança, ainda que remota,

do meu abraço,

do meu abstrato,

meu descompasso e

minha poesia...




sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Hipersensível


Seria duro demais, seria cedo demais, seria improvável.

Seria forte demais, teria muitos impactos, seria insuportável.


Devia saber que rápido demais, esse tempo de menos, iria faltar no final. Inevitável.


Haveria silêncio demais, seria demais esse beijo, nasceria o medo. Inquestionável.


O calor foi demais, o temor nos fez mal, não deveria pensar. Inconcebível.


Experiências demais, inocências de menos – sem avisar, mudamos de planos.


Imprevisível!


sábado, 23 de fevereiro de 2008

Estimação


Vou te dar um filhote de São Bernardo,

vou te dar uma ninhada de gatos,

vou te dar um peixe exótico,

e um pássaro de 7 cores e um falcão peregrino,

poderás ter um lagarto

ou um velho lobo que te protegerá.

Vou te oferecer tudo o que é vivo,

irás adotar, se assim quiseres, tudo o que pulsa,

cada animal que reside na casa, na mata,

na floresta e no campo aberto que sou.


quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Fórmula


Mesmo quando se apagarem as luzes, tu vai me sentir por perto,


Mesmo quando teus olhos fecharem, exaustos, tu vai me ver


E sempre vai notar essa chama presente,


Vai ouvir meus passos, quando suave eu chegar junto a ti,


Vou dizer com carinho ao teu ouvido, que te amo


Vai sentir meu cheiro, vai perceber nos meus traços o peso de mais um dia,


Vai entender o cansaço em meu rosto,


Vou te mostrar que esse pesar ficou todo lá fora,


Quando virei a chave na porta da frente,


Vamos nos beijar com a mesma paixão,


E todos os dias vamos esperar por este momento,


E as noites serão de tempo bom e lua cheia,


A vida ao teu lado será intensa e rica em espírito,


Seremos cúmplices, sócios, donos de uma fórmula simples de ser feliz,


Que nos coube a alegria de um dia descobrir...


segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Surpresa

Me conheça de uma forma diferente,

Em um lugar inusitado,

Num momento inesperado,

Com as palavras impensadas,

Me fale frases que necessitariam de anos pra serem construídas,

Me explique a vida pelos teus olhos, e com a inquietude destes mesmos olhos,

Me faça questionar tudo novamente, desentender tudo novamente.

Me beije num improviso, numa hora em que não haja explicação,

Me roce a nuca,

Me fale baixo,

Me arranhe e me morda,

Me aperte as mãos,

E não me diga nada mais,

Puxe minha mão ao teu colo e então me silencie, serenamente...



domingo, 3 de fevereiro de 2008

Começo de chuva




E agora as gotas da chuva
Me fazem lembrar do som da água caindo nas telhas
Nas telhas de cada lugar que morei até ontem (em que nunca mais morei)
Eu parava e ouvia a chuva batendo
Quando estava pra rir ou pra chorar.
Molhava o broto seco cá de dentro esse começo de chuva,
Raiz e tronco mexia
E não sentia mais o tempo passar,
Só crescia.

Números




Estamos voltando pra casa, é 2006

Ela dirige nosso conversível, de 1976

Toca um blues, de 1968

Ela usa óculos escuros e o vento passa gostoso pelo seu rosto,

Eu durmo um sono leve no banco do carona,

Sonho com luzes noturnas de uma cidade,

Sinto sua mão na minha nuca, gosto dessa sua mania,

Estamos a 80, a estrada é longa, uma linha reta,

1200 quilômetros de volta pra casa.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Lembra...



Lembra de quem tu é,

Te lembra do que te identifica e te torna único, nessa vida,

Te lembra do cenário onde tu é feliz,

Te lembra dos cheiros e das cores das coisas que te fazem bem

Encontra, no teu coração, dentro de ti, aquilo que inspira teu mais sincero sorriso

Sinta-se confortável por saber que existem pessoas que rezam por ti todas as noites, antes de dormir, sinta este afago,

Reze e pense positivo pelas pessoas que tu ama, pense positivo e faça coisas que valem à pena, e que valerão ser lembradas mesmo que só por ti, com orgulho, com paixão.