terça-feira, 15 de abril de 2008

Click!


Não haveria de dar este clique,

Não teria coragem,

Silencioso, ele media a luz (fingia),

Configurava, desconfigurava, re-configurava sua Canon Rebel,

O cenário estava perfeito: algum lugar entre o pôr-do-sol e o anoitecer,

Usaria o flash 25 talvez, e definitivamente, o Preto e Branco se aplicaria mais uma vez,

Mais do que nunca.


Ela caminhava lentamente pelo estúdio,

De um lado para o outro,

Cigarro nos lábios,

Não, não havia nervosismo,

Ela o faria de olhos fechados,

Olhos fechados e boca entreaberta,

E mente distante e pressa de ir embora, ela pensava...


Ele direciona as luzes para o sofá, fixa a câmera no tripé,

Olha pra ela, mexe a cabeça vagarosamente, num sinal,


Ela joga o cigarro fora, toma um gole de suco,

Respira fundo e tira o hobby,


Ele já sabia, mas seu coração dispara,

E seu dedo não se candidata,

Procura esvaziar sua mente de qualquer pensamento, CLICK!


Ela muda de pose, CLICK!

Mexe os cabelos, CLICK!

Muda o olhar, CLICK! CLICK!

Com cliques que saem pela culatra, ela o mata sem piedade, 10, 15, 30 vezes –

Havia passado dez anos, jamais imaginara fotografá-la de novo –

Cinco disparos por segundo,

Pensa: ela está ainda mais linda,

Mudara sua vida uma vez,

(mais uma de perfil...CLICK!), e ele já sabia,

Que mudaria novamente,

Desta vez para sempre...




Um comentário:

Luhh Freitas disse...

já perdeu até a graça meus comentários no seu blog!
adorei, como sempre! :)