quarta-feira, 29 de outubro de 2014
(replay) RESSONÂNCIA
RESSONÂNCIA
S. F. 1. Propriedade ou qualidade de ressonante. 2. Repercussão de sons. 3. Propriedade de aumentar a duração ou intensidade do som. 4. Propriedade que os corpos apresentam de transmitir ondas sonoras.
Quero o sorriso franco e espontâneo de quem passa por mim na rua,
Pra nunca mais voltar.
Quero o simples querer por querer,
Que não seja uma idéia que se possa comprar.
Quero teu amor como um presente bonito,
Que um amigo secreto me deu,
Pra colocar num altar.
Quero teu amor,
Como uma caixinha de música,
Pra eu ficar horas olhando,
Que me permita dormir tranqüilo,
Que me permita acordar sonhando.
08/06/2009
sábado, 7 de dezembro de 2013
SEM AIR B....
Estava deitado,
Estava dormindo,
Minha febre talvez nunca tenha passado,
Ou será que é você ainda habitando meu corpo?
Você que habita minhas costelas,
Naquela tatuagem que nunca vai me deixar,
Eu prometi, um dia, que estaria pra sempre,
Eu era um carro que nunca iria desacelerar,
Eu era o dia teimando cinza, sem querer acordar,
Ainda as curvas do teu corpo,
Sem sinal, sem farol, nem radar,
Dois dias depois, cinto de segurança nenhum,
Não consigo segurar (a saudade),
Não sei frear, vou colidir,
Quero me desencontrar,
Só pra ter o que dizer,
Perco o ar e a rima,
E sem freios não há como evi...
sexta-feira, 24 de maio de 2013
Conto: O TÍTERE
Ao se despedir ela disse: um dia eu volto, mais cedo ou
mais tarde.
Foi mais tarde...
Cortava os pêlos do nariz às 2:30 da manhã com uma
tesoura pontiaguda.
"Eu só funciono de madrugada". Era do meu vô, a tesoura e
esta frase.
Me assustei com uma buzina tão alta àquela hora, e acabei
me machucando com a tesoura. A buzina era insistente, corri na janela com um
pedaço de papel higiênico pendurado no nariz.
Tratava-se de um carro branco, importado, nunca o vira
antes. Já quem estava em frente ao volante, abanando...como se fosse mais cedo,
eu conhecia bem.
Desci cada degrau dos seis lances de escada, pensando se
em outros tempos não desceria até o inferno por ela. Os tempos são outros, e
continuo descendo. Por ela.
A porta do prédio me escapou das mãos, batendo com um
forte estrondo, acho que não tão forte quanto meu coração, que batia entre
minhas orelhas.
Ela liberou as portas, entrei, dei o sorriso que pude... Ela
sorria com todos os dentes e me tirou um pedaço de papel do nariz antes de me
abraçar. Que patético eu sou.
- Você não vai dizer nada?
Eu não respondi, não estava conseguindo combinar essas
coisas: raciocinar, articular os pensamentos, voltar no tempo e ainda em tempo,
respirar, mover o diafragma, ruminar as palavras, expulsá-las da boca.
Eram dois anos e 700 e tantos "por quês?" dentro de mim (um para cada
dia do seu sumiço). Não, eu não os colocaria pra fora. Fiz silêncio, cara de
paisagem e dei de ombros.
Ela sorriu de novo. Como era fácil ser ela.
Como eu queria um buraco para me enterrar.
Percebi seus lábios roxos. O habitual vinho estivera por
ali.
Ela ligou o som numa estação de rock. Tirou as luvas,
acendeu um cigarro, com todo o charme e falta de pressa do mundo.
Depois de expulsar a fumaça pela janela, me olhou daquele
jeito sedutor só dela. Seus olhos me diziam: "não adianta fugir, sou mais certa
na sua vida do que a morte e como ela, estou à sua espreita a cada esquina".
Enquanto a boca dizia:
- Você me conhece tão bem. Você sabe, estava com
saudades.
E eu estava fodido, já sabia que era um fantoche nas mãos
dela, desde a primeira vez. Ela era como uma droga e não havia tratamento, terapia,
remédio, dormir, sumir, não havia... Mantive o silêncio, concluí que era como
areia movediça, preferi então não me mexer, não resistir.
Durante o beijo intenso, pressionei meu nariz contra o
dela e imediatamente senti escorrer de novo o sangue pelo rosto, pelas nossas bocas,
enquanto pensava na ironia: mais uma esquina, mais uma morte, mais uma vida,
desta vez ela me fizera sangrar e tudo.
"Uma paixão mais certa que a morte".
A morte era minha.
E a frase era dos olhos dela.
Élinson M. S. 23/05/13
quarta-feira, 22 de maio de 2013
Te Agarra (unhas e dentes)
...Me desagarrei da vida em certo tempo, não sei bem o porquê...
Só sei que vi que a vida,
Assim como as pessoas,
Quando nos desagarramos delas,
Elas passam e passam mais rápido, ao longe...
Assim entendi, e, que bom, ainda em tempo de me prender
de volta, com força.
Quando percebi, me senti como um louco, insistente,
agarrado à vida como ao rabo do último elefante da manada, eu arrastando meus
calcanhares pelo chão e ele, nada. O louco agarrado ao rabo do cometa, voando,
querendo impedir que algo muito maior avance a passos firmes e largos.
Eu não quero passar.
E, desde então, ali, agarrado fiquei (e sigo), pois a vida
passa, mas agarrado a ela, assisto a tudo, e quem sabe, ainda por cima,
influencio seu curso...
Élinson Martins
16/04/13
sábado, 23 de fevereiro de 2013
ACID SERIES: Carlos Severbuk e o café
Ahh Dindi como a gente se acostuma com aquilo que é
prático e só...como acostumei a colocar o pó de café três vezes ao dia que é
pra não dormir que é pra não fugir ou sim...e Dindi já não sei nem o gosto mais
do café amargo de mim...
sábado, 9 de fevereiro de 2013
A FRONTEIRA DOS SONHOS
(ouvindo neste momento e recomendando: Evan Voytas - TOMORROW NIGHT WE'LL GO ANYWHERE em: http://www.youtube.com/watch?v=KHXqwPL9Hm4)
Te dar adeus e cruzar a fronteira,
Onde essa estrada vai dar...?
Levo na mochila um pandeiro e um bandolim,
Quem sabe do lado de lá...boa vida, quem dera...
Hoje sou dos meus sonhos uma fotografia,
Com um passo, faço o horizonte caminhar,
Irei para o oeste, para o sol não mais se pôr,
Quero pensar pra sempre que foi ainda hoje que te
deixei,
Sou a fotografia dos meus sonhos,
Amanha eu não sei...
Cola teu rosto junto a mim um pouco mais.
Logo seguirei minha caminhada tocando canções com teu
nome,
Você se lembrará de mim um dia, como uma paixão
distraída,
Então contará a história,
Do estrangeiro que queria cruzar o mundo,
E acabou por cruzar as fronteiras da tua
vida.
Élinson Martins 24/01/13
segunda-feira, 12 de novembro de 2012
FUNDO DA ADEGA: Para alguém que não sei quem fui
Seu ponto de partida era um
pouco mais que isso,
Era pouco mais que um coração,
Quis fazer parte de um sonho,
Quis mudar o destino.
Era assim, dizia com um brilho nos olhos:
Nada pode ser superficial! É muito curto o caminho para não se deixar marcas...
E eram fortes as marcas que trazia consigo, desde o começo... Desde os primeiros passos.
Élinson Martins (2003) (Foto
em: 11/2012)
quinta-feira, 8 de novembro de 2012
BOLHA DE SABÃO
Coloriu os cabelos e foi pra rua,
Sorriu um sorriso livre ao pisar na calçada à
beira-mar.
Enquanto a brisa leve eriçava seus pêlos da nuca,
Segurava na barra da saia e sorria o sorriso que tinha aos 9,
Fazendo bolhas de sabão,
Menina sentada na grama, sonhando em voar...
Élinson Martins
sexta-feira, 26 de outubro de 2012
REVIV
Quero teus pés pra eu tropeçar,
Vou tentar apertar com teus dedos,
Meu reluzente nariz de palhaço,
Quero ser o brinquedo e a criança a brincar...
Quero ser a parede na qual você quer bater a cabeça,
Teimoso,
Em cima da hora, me deixo ceder e amoleço pra não
te machucar.
Ser a parede contra a qual você irá se jogar,
Insistente,
Me arrepender de tudo e poder te abraçar...
Sou de achar que todo o Depois é sempre tarde
Demais,
Não quero ciclos e mais ciclos para exercitar
minhas lições,
Eu prefiro a bala trocada, o inusitado... o TUDO de
uma vez - SÓ!
Quero na vida aquilo que se parece com coisa
nenhuma...
Aquilo que não li em livro algum,
A história da qual nunca ouvi falar.
Quero ver o que vai me dizer...
Quero é ver tua cara de surpresa ao abrir os olhos
pela manhã, e me ver pendurado no lustre sobre tua cama, de cabeça pra baixo,
balançando e dizendo que consertei o mundo!
As teias de aranha no chão e as formigas no teto,
Verei flutuando teus lençóis de cetim,
A Frida Kahlo plantando bananeira,
Verei tuas sobrancelhas tristes, agora viradas,
sorrindo gostoso, apenas pra mim!
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